O Morango do Amor — Doce, febre e golpe
O Morango do Amor — Doce, febre e golpe
Há dias só se fala nisso: o tal morango do amor — uma versão deturpada da (inocente) maçã do amor, aquela que comprávamos nos parques de diversão, nos circos e até mesmo na fila do cinema (nas matinês).
Como vítima das redes sociais, recebi no feed a receita do morango do amor — nossa!
Aviso: não assista ao vídeo da receita se for diabético! (Graças à genética, não sou.)
Uma melequeira de brigadeiro branco envolve o morangão, que depois é mergulhado numa calda vitrificada, cheia de açúcar e corante carmim.
Essa foi uma — quase grosseira — descrição dessa nova guloseima, popularizada com a benesse da inclusão digital normatizada.
Posso parecer chato, mas não sou!
— De doce, me basta a vida!
Essa é minha resposta (sincera) favorita quando me oferecem doce — não sou chegado.
Como estamos sujeitos a modismos, não é?
Essa coisa virou febre, quase um vírus. Muita gente lucrando com o doce, replicando e reinventando a receita... Lucrando! Lucrando! Lucrando!
Essa semana, vi bandejinhas de morango (nanicos) a R$12, R$15, R$17 e até R$20 — isso no Rio de Janeiro.
Me espantou ver o valor da fruta no Rio Grande do Norte: o quilo está custando R$90. Sim, noventa reais!
Com esse "precinho", não existe amor que entre na fruta — aliás, a única fruta com sementes externas (visíveis).
Aí, ontem, ouvi uma notícia sobre golpes envolvendo essa nova sobremesa recreativa.
Pessoas que vendem, recebem adiantamento e entregam outra "coisa", que nada tem a ver com o morango do amor.
Entregadores que sequestram o famoso doce para extorquir quem vendeu e quem deveria receber.
Gente que anuncia a sobremesa só para obter o endereço e depois usar essa informação para aplicar outro golpe.
Me pus a questionar...
Vivemos num país de gente medíocre — gente que usa a gula do doceiro para aplicar golpes. Quem imaginaria isso?
Na verdade, acho que somos vítimas dos nossos próprios modismos, dessa coisa imbecilizada que adotamos como informação de massa.
Se apareceu na internet, viraliza. E todo mundo quer ter, fazer, usar, comer, viver...
E assim conseguimos fragilizar nossa (in)segurança, expondo o que nos enfraquece.
Que possamos evoluir.
Até a próxima!

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