Rio de Janeiro: A Farsa do "Sucesso" e a Chacina que Ninguém Quer Chancelar

Da operação "bem-sucedida" à tomada da Carombinha: por que a política do "tiro, porrada e bomba" é a prova do fracasso da segurança pública.



Passada a terça-feira (28) sangrenta, uma mancha permanente no que antes se conhecia pela alcunha de "cidade maravilhosa", a vida continua... para os vivos. Vitoriosos? De maneira alguma.


Segundo o governador Claudio Castro, a operação foi um "sucesso". Sucesso para quem, cara pálida? O sucesso de um paredão de fuzilamento? O sucesso medido em quatro baixas de agentes de segurança?


Li que levaram um ano — 12 meses, 365 dias — planejando esta "operação". Em todo esse tempo, não aprenderam a usar a inteligência? Não conseguem entender que a polícia eficiente antevê o crime, prende e não sai por aí na velha prática do "tiro, porrada e bomba"?


Não sou de esquerda e nem me sinto familiarizado com a direita. Considero posicionamentos radicais perigosos em um país de iletrados e analfabetos funcionais munidos de "título de eleitor" — uma arma perigosa por si só.


Ontem, foi aberta a caixa perfumada das "soluções" instantâneas: reuniões, cooperações, ministros, comitivas. Todos em defesa de um "Estado Democrático de Direito", todos em prol de salvar o Rio de Janeiro da facção que emergiu na década de 90. E o que virá depois? Vão planejar uma operação para exterminar a concorrência da poderosa facção, enquanto abrem passagem para as milícias militarizadas, recrutadoras de ex-traficantes? ...Ih, escrevi isso ou só pensei?


Acredito que haverá pressão de partidos da esquerda cobrando explicações ao governador. Que ele, por sua vez, cobre dos seus secretários de segurança (sim, o Rio tem três) e dos comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil. Já lemos e ouvimos a justificativa: as câmeras corporais não registraram toda a ação, pois... "descarregaram". Em se tratando de Rio de Janeiro, já sabemos como funciona o corporativismo dessas instituições.


O que me incomoda é a sociedade aceitar, achar que trucidar "suspeitos" (ou "bandidos") é o normal em pleno 2025. Eu não acho.


Não sei se foi a idade ou as muitas situações que vivi depois da pandemia que me fizeram "amolecer", mas hoje me sinto um humanista. Tenho a certeza de que a vida tem VALOR, seja ela qual for e de quem for.


Ah, mas "quero ver ser humanista com um vagabundo apontando uma arma na sua cabeça e disparando do nada, sem nem levar nada". Sim, pode acontecer, ainda mais morando no Rio de Janeiro. Mas o que conta, para mim, é o que penso.


Entendo que, em situações extremas durante uma ação, o policial tem que se defender, pois ele também defende a "boa" sociedade. O que também sabemos é que este Estado não tem fábrica de armas, nem plantações de cannabis ou coca. Pessoas não podem ser "fábricas" de bandidos, pois ninguém nasce predestinado a ser.


O que precisamos é da presença do Estado nas favelas (comunidades), com investimento pesado em educação — e não estou falando de "pé-de-meia". Precisamos profissionalizar as pessoas em idade produtiva, acabar com a filosofia do "nem-nem". Pessoas precisam de atenção, de cuidado.


Não estou aqui sendo ingênuo, inocente ou romantizando a realidade de um país tão complexo como o Brasil, ainda mais se tratando do Rio. Eu não tenho a solução e nem a capacidade de apresentar uma, mas sei que o caminho que estão trilhando não vai dar em lugar nenhum.




Em tempo...

Segundo o governador, na terça-feira a maior facção criminosa do Rio sofreu um grande "baque", uma perda de homens e mais de 90 fuzis.

Pois é. De quarta para quinta-feira, a mesma facção tomou a Carombinha, comunidade situada em Campo Grande (Zona Oeste) que estava dominada pela Milícia (outra praga).



E aí, qual é o jeito?

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