Crise Invisível
Local: Centro de Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro
O centro de Bangu está, literalmente, fedendo.
Sim, está F3D3ND0 A M3RD4! — e não é exagero.
O motivo? A crescente presença de pessoas em situação de rua — ou como prefiro chamar, subsistentes urbanos. O termo "morador de rua" me soa inadequado. Afinal, a rua não é lar. É sobrevivência.
Um passeio desconcertante pela Francisco Real
Fazia tempo que eu não passava pela Rua Francisco Real, especialmente nos arredores do Atacadista Assaí (ou Assái, como alguns insistem em pronunciar). O cenário que encontrei foi desolador: dezenas de pessoas dormindo nas calçadas, sob marquises de lojas ou à sombra de árvores, especialmente próximo à XVII Administração Regional, na Rua Silva Cardoso.
Entre 8h e 9h da manhã, sem pretensão de fazer pesquisa formal, contei:
- 14 pessoas dormindo
- 8 em atividade — caminhando, tomando café ou apenas sentadas
Tudo isso entre o Shopping Bangu e o Assaí, passando pelo calçadão da Cônego de Vasconcelos. E o que mais se destacava?
Um odor insuportável de urina e fezes. Por toda parte.
O Rio de Janeiro está à deriva
A cidade sofre com o abandono do poder público. O atual prefeito, mais preocupado com sua possível candidatura ao governo estadual em 2026, parece ter deixado de exercer o papel de "síndico" que o carioca costumava enxergar.
Não há política municipal ou estadual eficaz voltada para essa população vulnerável.
Essas ruas abrigam pedintes, dependentes químicos, expulsos de comunidades, pessoas com transtornos mentais e indivíduos completamente abandonados — por familiares ou pela própria sociedade.
E o mais grave: não há sequer um censo atualizado.
Antes da pandemia, estimava-se cerca de 8 mil pessoas em situação de rua. Estamos em 2025. Sem querer especular, mas chutando por baixo, esse número já deve ultrapassar os 12 mil.
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