Hino Nacional

Hino Nacional e o Nosso Patriotismo de Berço Esplêndido



Ainda nos anos 90 conversava com um amigo sobre algo que sempre me deixou curioso. O nosso Hino Nacional — quando comparado aos hinos de outras nações, as mais desenvolvidas e ricas.
Então resolvi compartilhar de um pensamento (questionador) bem particular.

 
Sabe quando você lê o hino dos Estados Unidos, da França, da Rússia ou da Alemanha e sente que está pronto pra ir pra guerra, defender a bandeira, construir um país do zero e ainda cantar isso tudo com orgulho? Pois é... Aí a gente lê o hino do Brasil.

Enquanto os outros falam em lutar, resistir, dar a vida pela pátria e até regar o chão com o sangue do inimigo (sem exagero, tá no hino da França), o nosso começa com um “Ouviram do Ipiranga…” e segue como se fosse uma carta de amor escrita por um poeta brocha e cansado. Bonito, poético, cheio de palavras difíceis... e sem despertar nenhuma vontade de levantar da rede.

O americano canta que a bandeira ainda tremula “na terra dos livres e no lar dos bravos” (acho lindo!). O francês grita pra pegar em armas. O russo fala com orgulho da pátria eterna. O alemão exalta união, justiça e liberdade.
E o Brasil? Pede pra justiça erguer a “clava forte” — só não fala quando, nem pra quê. E lá seguimos, deitados eternamente em berço esplêndido, esperando que alguém resolva as coisas por nós, de preferência o 'Tio Sam'.

Não me leve a mal, nosso hino é lindo. Só talvez não seja o melhor pra despertar o amor pela pátria, fazer queimar aquele sangue no olho. É quase um soneto, mas faltando um “soco no estômago” ou um chute na “bolsa escrotal”. 


Talvez por isso lá fora o povo cante o hino com o peito estufado, a bandeira na mão e os olhos marejados. E aqui… bom, aqui a maioria só sabe a primeira parte.
Na segunda, é cada um por si tentando lembrar se “impávido colosso” é o nome de um jogador da seleção ou um bicho em extinção.

A verdade é que o hino diz muito sobre o espírito de um povo. E talvez — só talvez — isso ajude a entender por que certos países têm tanto orgulho de si mesmos… a gente ainda acha que amar o Brasil é só usar verde e amarelo na Copa e ir passear na orla em apoio a malucos que sonham com a volta de um governo militar.

Mas tudo bem. Temos um hino bonito.
Falta só aprender a sentir, cantar e viver o que ele realmente quer dizer.


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