Uma questão de respeito à tradição

Uma Questão de Respeito à Tradição




Ontem, sexta-feira Santa, mais uma — com a graça de Deus!
Cresci aprendendo a respeitar o dia Santo. Lá em casa, desde que me lembro, era um dia em que não conversávamos muito, evitávamos discussões e a nossa mãe avisava, na quinta-feira: “comportem-se amanha, não me façam praguejar, porque sexta-feira da paixão é um dia Santo”.
Claro que a gente atendia, pois ninguém queria ser “malhado” com os Judas no sábado.

Lembro que meu pai se encarregava de comprar o peixe, minha mãe não varria a casa e nem deixava varrer. A gente brincava em silêncio, e assistir TV só quando começava o filme tradicional “A Paixão de Cristo”.
Tinha a canjica de coco e amendoim.

Nunca comemos carne nessa data — minha mãe tinha muito medo de pecar e sempre contava alguma história “fantasiosa” da infância dela, no interior, que aconteceu com quem desrespeitou a Sexta-feira Santa.
Cresci assim, sempre guardando o dia Santo — não tanto com a rigidez da minha mãe, mas evitando praguejar, comer demais, beber — no máximo uma taça de vinho.

Ontem fui convidado, em cima da hora — coisa de quem te convida, por convidar — para um churrasco… Sim, em plena Sexta-feira Santa — churrasco.

Claro, não fui e nem iria — independente do dia Santo.

Meu Deus, quando foi que o mundo mudou tanto e eu não percebi?

O vizinho do lado (família de protestante) numa festa, barulho de gente rindo, brincando, churrasco. — Parece que agem assim para afrontar católicos.

Vou continuar como sempre, fazendo do jeito que me foi ensinado desde a infância — sem questão de pecar, pecado ou inferno. Mas, por respeito a Deus e à memória da minha mãe.



Boa Pascoa!
 


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