O Amor e a Força de Minha Mãe:

O Amor e a Força de Minha Mãe: Lembranças de Uma Mulher Inabalável

Entre saudades e lições, a história de uma mulher simples, de fé imensa, que enfrentou a vida com coragem até o fim.



Minha mãe era uma pessoa muito simples ou, como ela costumava dizer, "humilde". Este ano completa dez anos desde que ela partiu, mas sempre me pego pensando nela, sentindo sua ausência material — e sempre sonho com ela, sonhos bons.

Aprendi muito com a minha mãe, e sua última e maior lição foi vê-la ali, muito doente, definhando em pouco mais de seis meses, mas sem NUNCA reclamar do seu destino. Sempre que algo a incomodava ou a aborrecia, ela dizia: "Quero que Deus me tire desse mundo de uma só vez. Do jeito que foi com meu pai."

— Quem realmente determina algo nesta vida, não é mesmo?


Ela teve um câncer e, por teimosia, tentou esconder o que sentia. Quando a doença foi descoberta, já havia se espalhado. Foi então que o brilho nos seus olhos começou a se apagar, e aquela mulher pequenina e forte foi se tornando mais frágil, magrinha, com o rosto marcado por dores que sequer consigo imaginar. Ainda assim, ela sempre tinha uma palavra de força e uma fé inabalável em Deus. Em um momento tão complexo, eu não entendia como. Não que eu não tenha fé, mas não sei de onde ela tirava tanta em um momento como aquele.


Sabe, minha mãe nunca conheceu "facilidades", mas, ainda assim, conseguiu proporcionar a mim e aos meus irmãos uma vida melhor do que a que teve. Muitas vezes ela dizia: "meu filho, eu não tive infância, não!" Desde meus 7 anos, ia para a plantação de café com seu avô e, aos 9, já trabalhava em cozinhas de fazendas — contava ela.


Conversávamos muito, nos dávamos muito bem — éramos do mesmo dia e mês de nascimento e sempre comemorávamos nosso aniversário juntos.


Não lembro dela com tristeza, mas com aquele grau de saudade que só quem ama de verdade sabe como é - uma estranha ausente presença.


Às vezes as coisas não saem do jeito que planejo e nem da maneira que acho que fiz para merecer. Bate desânimo, encosta aquele ar pesado que vai tomar a alma com depressão. Logo me vem, me visita à lembrança de quem foi dona Zica (apelido de infância dela). Então me sacudo, me desperto e assumo minha origem, de quem vim, do que sou feito.

— Eu sou filho de uma das pessoas mais fortes que já conheci na vida. Sou filho da dona Elcy!


Uma mulher que ficou viúva aos 44 anos e com 4 filhos adolescentes como "herança". Fez de tudo para nos manter unidos e no caminho certo. Uma vida simples, mas honesta — como ela era.


Lógico, desvirtuamos algumas vezes, porque não somos perfeitos — ninguém consegue ser. Ainda assim, ela conseguiu casar minhas irmãs na igreja, véu e grinalda — uma grande vitória! Coisa do orgulho de quem era antigo. Não formou doutor, doutora ou santo, mas fez o seu melhor.


Em toda adversidade, ela fez a diferença e nos ensinou muito sobre ter e manter a fé. Com isso, aprendi que não há final triste na despedida para aqueles que amam de verdade.

  • Se amamos, não morremos. No máximo, é um 'até breve' e uma garantida estadia no coração de quem continua por aqui.



Para finalizar...

Claro, tive a oportunidade de agradecê-la, me despedir dizendo:

"mãe, pode descansar, a senhora fez o seu melhor. Te amo, nunca vou te esquecer."

 







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