O Sonho Americano, vale a pena? Imigrantes e a Realidade Econômica no Brasil

Com 170 mil reais, dá para mudar de vida no Brasil ou arriscar no exterior? Um olhar sobre as dificuldades da imigração clandestina.

Dias desses, após a posse do presidente Donald Trump, li sobre imigrantes que chegaram ao Brasil — vomitados pelo governo do Tio Sam — e um deles me chamou a atenção. Um homem (não é necessário mencionar o nome) gastou 170 mil reais para chegar à América do Norte e terminou entregue ao Brasil, algemado e “cuspido” pela saída de emergência da aeronave.

Tio Sam


Uma grande interrogação se formou na minha cabeça — confesso que fiquei perturbado. Será que não havia NADA que ele pudesse fazer, investir ou empreender no Brasil com 170 mil reais?

Pode parecer uma pergunta ingênua, louca, mas faz sentido — pelo menos para mim. Sou um cidadão de 55 anos e posso listar umas 10 maneiras de usar esse valor para começar algo com retorno a médio e longo prazo. Sem a necessidade de urgência em se aventurar na busca do 'American Dream'. A ilusão criada pelos compatriotas que lá estão e incentivam brasileiros para o sucesso de ser clandestino, ganhando em dólar, é quase a mesma vendida pelos 'gurus' do marketing digital nos 'feeds' das redes sociais. — Não tem facilidade, não, gente!

Que o dólar vale mais, tem maior poder de compra e é uma moeda estável — óbvio que é. Mas o maior valor multiplicador se faz aqui. Se você mora lá, aí a coisa muda. Vou dar um exemplo, sem citar nomes.

Um rapaz ganha pouco mais de 5 mil dólares. Mora na Flórida, paga $1200 de aluguel, $100 de internet, pouco mais de $200 com energia elétrica, água e gás, quase $900 de mensalidade do SUV financiado, $200 de gasolina, quase $180 de seguro do veículo, $800 de alimentação. Fazendo uma soma rápida, dá quase 4 mil dólares, e ele manda $1000 para sustentar a mulher e 3 filhos no Brasil. Esse é o exemplo mais próximo que posso detalhar.

Mas teria outros relatos tristes para escrever aqui. Como o do jovem que ficou mais de 20 dias sequestrado por 'coiotes', só foi liberado após a família (toda) ratear 10 mil dólares e enviar para o 'PayPal' — pior ainda, naquele tempo ninguém sabia o que era e como operava a plataforma. Um pesadelo dentro de outro pesadelo para pessoas simples, ignorantes no assunto.


American Dream


Nada é fácil — simples assim!

Sair do Brasil, sem formação profissional, sem saber falar inglês, atravessar o deserto guiado por “bandidos” para viver clandestinamente em um país de cultura (totalmente) diferente, porque o dólar vale, sei lá, 5 ou 6 vezes mais que o real brasileiro — é uma coragem muito louca, né não?

Ah, a história (mais acima) que relato com detalhes é de um brasileiro que está lá há 3 anos, trabalha de segunda a sábado, de 10 a 13 horas por dia.

— Isso é vida? Onde sobra tempo para o 'American Dream'?



God save Brazil!


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